sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O machismo nosso de cada dia
(por Michelle Cristiane Silva)

É um grande desafio falar sobre o universo feminino sem desaforar o masculino. Tarefa difícil, mas vamos lá, vou tentar escrever minimamente.

Em tempos modernos, a mulher tem conseguido cada vez mais ocupar o seu espaço, porém a luta diária para se sobressair às formas mais ocultas de machismo ainda é constante. 

Quem é que não ouviu aquela frase no trânsito: “tinha que ser mulher” e o pior é ouvir isso de pessoas próximas a você ou mesmo de uma mulher, “lugar de mulher é no fogão”.

Se tem um lugar que não é meu, é o espaço do chão reservado ao fogão. Mas como sou, multifuncional, trabalho bem quando sou requisitada para ficar lá por alguns minutos, assim como o homem.

Porque o fogão não é da mulher. É um bem móvel que compõe o interior da casa, de uso comum, tão necessário para mim, como para meu marido, meu filho, que também vai aprender a se virar sozinho no momento certo.

Esse movimento feminista tem mexido comigo! Outro dia, estava observando minha identidade profissional e nela constava advogadO. Nesse momento me questionei a razão pela qual na minha identidade não estava escrito identidade de advogadA? 

Que tal, padronizar em todos os documentos profissionais dos advogados e advogadas a versão: identidade de advogadA? Os homens com certeza iriam se rebelar. Mas nós não! Estamos tão acostumadas que nem nos damos conta de detalhes como esses.

E isso não é tudo sabe?! Na verdade eu estou cansada de ideias preconceituosas.

Vou contar um fato que me ocorreu recentemente no trânsito. Estava indo para casa, no meu horário de almoço, dirigindo meu carro numa mão dupla e me deparei com uma motocicleta que me cortava pela direita. Isso mesmo, queria me ultrapassar pela direita.

Eu continuei na minha mão. Ao chegar numa lombada (vulgo quebra-molas), pisei no freio como qualquer um faria. Então, ouvi um sussurro: “Tinha que ser mulher mesmo!”. Na hora eu não hesitei, baixei os vidros do carro e para minha surpresa a motocicleta era conduzida por uma mulher. Eu, sabiamente, respirei para não me exaltar e como estávamos na lombada deu tempo de explicar, que o correto era me ultrapassar pela esquerda, que ela estava equivocada na sua colocação! Ela não me entendeu, mas também não parou.

Moral da história acabou: tudo por ali. Não alcancei meu objetivo, pois não consegui demonstrar que se fosse um homem quem estivesse no volante, era ela quem estaria errada, se fosse um robô no volante, era ela quem estaria errada.


Essa situação me deixou intrigada pela constatação de que o machismo não está implantado somente nos homens, nós, mulheres, estamos o disseminando, quando pedimos para o homem da casa conversar com o pedreiro, o eletricista, o encanador, quando pedimos para o homem da casa levar o carro para o conserto, para trocar o óleo. 

Ora, eu posso fazer tudo isso! E tenho exercido meu oficio feminino muito bem, obrigada! Só que eu não sou boba, eu divido as tarefas.

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